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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Carlos Cunha Corrêa - Parte II - Capítulo XIV - Os Corrêas



Dos primeiros europeus aportados a S. Paulo, salvos da escuridão do anonimato, a história registra os nomes de João Ramalho, Antônio Rodrigues e Francisco Chaves, encontrados, em 1532, por Martim Afonso, e mais 5 castelhanos. Não se firmou a certeza, e ainda se discute se eram judeus ou de outra etnia, nem se eram degredados ou grumetes náufragos. Isto, porém, não monta; o que importa é que eram europeus brancos com muitos filhos aqui nascidos de índias e já crescidos, e que deles provêm os primeiros lares mamelucos da região sulina, donde saíram os Lemes, os Prados, os Buenos e Camargos, os Corrêa de Arzam e tantas outras famílias tradicionais que desbravaram e povoaram Minas.
Logo depois destes vieram outros europeus – portugueses, espanhóis, italianos e flamengos, casando-se uns com índias puro sangue, ou provavelmente mestiças de sangue francês, outros com descendentes dos primeiros mencionados.
E assim, de entre os muitos cujos nomes não chegaram até nós, foi guardada a memória dos seguintes:
          I) Pedro Dias, c.c. (casado com) Terebé (Maria da Grãa, 2ª. Filha de Tibiriçá);
        II) Domingos Luiz Grou, c.c. Guassú, filha do cacique da aldeia de Carapicuíba;
          III) Braz Gonçalves, c.c. uma filha do cacique da aldeia de Virapueiras;
          IV) Braz Estêves Leme, c.c. uma índia;
          V) Pedro Afonso, c.c. uma índia tapuia;
         VI) Braz Estêves Leme, o moço, mameluco meio sangue, c.c. uma índia;
       VII) Manuel Fernandes Ramos, c.c. Suzana Dias, mameluca meio sangue;
      VIII) Salvador Pires, c.c. Mecia Assu, mameluca com um quarto de sangue índio;
       IX) Bartolomeu Bueno da Ribeira, sevilhano, c.c. Maria Pires, mameluca de um oitavo de sangue índio e que de seus sete filhos um foi Amador Bueno, c.c. Bernarda Luiz, mameluca descendente de Tibiriçá;
      X) Diogo Bueno, filho de Amador Bueno, c.c. Maria de Oliveira Leme, também mameluca descendente de Tibiriçá;
         XI) Domingos Luiz, o carvoeiro, c.c. uma neta de Tibiriçá;
       XII) Jusepe de Camargo, sevilhano, c.c. Leonor Domingues, descendente de Tibiriçá;
       XIII) Marcelino de Camargo, filho do precedente, casado com sua parenta Messia Ferreira Pimentel, descendente de Tibiriçá e de Piquerobi;
        XIV) Os Irmãos Cubas – Braz, Antônio, Gonçalo e Catarina.
Seria alongar excessivamente, mencionando todos constantes da GENEALOGIA PAULISTANA, de Silva Leme, que estou acompanhando aqui.
O morubixaba Tibiriçá, como é sabido, maioral da aldeia de Inhapuambaçú, chefiando as tribos de Piratininga, e justamente tido como patriarca dos bandeirantes, deu sua filha Bertina por esposa de João Ramalho, e depois a Pedro Dias outra filha que se batizou com o nome de Maria da Grãa.
Outro morubixaba – Piquerobi – chefe dos Guaianases, que se diz ocupavam o litoral desde Cananéia até Angra dos Reis, deu por esposa a Antônio Rodrigues uma filha, que o p. Anchieta batizou com o nome de Antônia Rodrigues, casando-os.
Os filhos destes primeiros casais entrelaçaram-se em casamentos não só entre si senão também com europeus que vinham chegando sucessivamente, como, entre muitos outros, Gaspar Godói, castelhano, Jorge Pires, Gonçalo da Costa, Cosme Ferreira, Luiz de Góis, Belchior de Azevedo, etc. Apenas decorrido pouco mais de meio século de vida colonial, vem o castelhano MARTIM FERNANDEZ TENÓRIO DE AGUILAR, casando-se com Suzana Rodrigues, oriunda dos troncos Ramalho-Antônio Rodrigues.
TENÓRIO falece em 1603, deixando 4 filhas: I) Maria Tenório; II) Ana Veiga; III) Suzana Rodrigues; IV) ELVIRA RODRIGUES.
Antes de escoado o primeiro século, chega a S. Paulo o flamengo CORNÉLIO ARZAM[33], que se casa com ELVIRA RODRIGUES, a IV filha do castelhano MARTIM TENÓRIO. Este casal CORNÉLIO-ELVIRA deixa os seguintes filhos: A) Maria Arzam; B) Manuel Rodrigues de Arzam; C) Ana Rodrigues de Arzam; D) Cap. Mor BRAZ RODRIGUES DE ARZAM; E) Cornélio Rodrigues de Arzam; F) Suzana Rodrigues de Arzam.
O Cap. Mor BRAZ RODRIGUES DE ARZAM, c.c. MARIA EGÍPCIA, filha de Pero Domingues e Maria Mendes Braz, falece em 1695, deixando os seguintes filhos: I) MARIA RODRIGUES ARZAM; II) Maria Egípcia Arzam; III) Mariana Arzam.
MARIA RODRIGUES ARZAM se casou com ANTÔNIO GOMES CORRÊA, filho de Manuel Gomes Corrêa e Ana Luzia do Passo (irmão de Catarina Gomes Corrêa, c.c. o Cap. Mor Cornélio Rodrigues Arzam) e desse matrimônio, entre outros filhos, deixou: A) Braz Gomes Corrêa, c.c. Maria Lima da Silva, em Parnaiba, em 1690, filha de João Machado Lima e Maria Lima da Silva, pais de Januário Corrêa Lima e Maria Lima da Silva, esta natural de Itapecerica; B) Antônio Gomes Corrêa, c.c. Ana Nunes da Silveira; C) MANUEL CORRÊA DE ARZAM, C.C. Maria de Lima, filha de Antônio Lopes de Lilma e Maria de Lima.
O casal acima – MANUEL CORRÊA DE ARZAM - MARIA LIMA – entre outros filhos, deixou: I) Salvador Corrêa de Arzam, c.c. Arcângela Godói, filha de Baltazar Godói de Mendonça e Francisca Cordeiro; II) Antônio Corrêa de Lima, c.c. Sebastiana Leite de Miranda, que entre outros filhos, tiveram: Gregório Corrêa Leite, c.c. Andreza de Freitas; III) GUILHERME DE ARZAM, c.c. ESCOLÁSTICA BORGES, filha de Antônio Borges de Páscoa Martins. 
Deste casal GUILHERME – ESCOLÁSTICA vêm três filhos: I) Cornélio; II) Estevão; III) JOSÉ CORRÊA DE ARZAM.
Este JOSÉ CORRÊA DE ARZAM, conforme consta do testamento de seu filho Manuel Corrêa de Sousa, feito em Dores do Indaiá e transcrito no § 3º. Do Capítulo X, e também consoante pesquisa do operoso genealogista Ari Florenzano no cartório do 2º. Ofício de Lavras, em inventário feito em 1810, se casou em 1759, em Carrancas, com FRANCISCA DE SOUSA, filha de Carlos Martins de Sousa e Tomázia de Aguiar. O casal JOSÉ CORRÊA DE ARZAM – FRANCISCA DE SOUSA deixou 13 filhos, entre os quais MANUEL CORRÊA DE SOUSA, que se casou, em 1780, em Lavras com MARIA ANDREZA DE JESUS (veja-se o citado tet.º no § 3º.).
Manuel Corrêa de Sousa e Maria Andreza de Jesus, moradores na fazenda dos Patos, em Dores do Indaiá, deixaram vivos seis filhos e uma neta: a) João Corrêa de Sousa, c.c. Maria Rita de Macedo; b) Luiz; c) Tereza; d) Manuel; e) Ana; f) Mariana, falecida, casada que foi com Tomaz Aquino Rodrigues, deixando uma filha de nome Rosa; g) ANTÔNIO CORRÊA DE SOUSA, c.c. Ana Luiza de Jesus.
Este casal, ANTÔNIO CORRÊA – ANA LUIZA – deixou os seguintes filhos: 1) Maria Antônia de Sousa, c.c. Henrique Brandão de Macedo, pais de Augusto Osório de Macedo Richo; 2) Bárbara Maria de Sousa (Bitó), casada em primeiras núpcias com Jerônimo Teodoro da Costa, pais de Carlos Teodoro da Costa e Emília Teodoro de Araújo Franco; 3) Jerônima Maria de Sousa, c.c. Lino de Oliveira Coutinho; 4) Luiz Corrêa de Sousa, c.c. Maria Teodora de Mendonça, filha de João Joaquim da Cunha e Maria José Carolina de Moura.
Do casal LUIZ CORRÊA DE SOUSA – MARIA TEODORA DE MENDONÇA nasceram 8 filhos: 1) Policena Teodora de Mendonça, c.c. José Americano Brasileiro de Moura, pais de Maria Raimunda, c.c. Tindaro Corrêa, e José Americano de Moura; 2) Sebastião Corrêa de Sousa, c.c. Virgínia Corrêa Ribeiro; João Corrêa de Sousa, c.c. Cornélia Álvares; 4) Carlos da Cunha Corrêa, c.c. Albertina Gontijo da Cunha, filha de Augusto Alves França e Garibaldina França Gontijo; 5) Maria Vita Mendonça, c.c. Marinho Mário de Mendonça; 6) Leonor Corrêa, c.c. Epaminondas Ferreira; 7) José Corrêa de Sousa, formado em Direito, falecido solteiro; 8) Lidoneta Corrêa de Mendonça, solteira, auxiliar da Diretoria do Grupo Escolar de Dores do Indaiá.
O casal CARLOS DA CUNHA CORRÊA – ALBERTINA GONTIJO tem os seguintes filhos: 1) Carlosalberto Corrêa, médico, c.c. Desy da Silva Corrêa, filha do Dr. Lineu Silva e D. Marieta Marcondes Silva; 2) Delba Corrêa Borges, c.c. o Dr. João Borges de Morais; 3) Augusto França Corrêa, solteiro; 4) M. Conceição Corrêa Assunção Ribeiro, c.c. o Dr. Nelson Ribeiro de Oliveira e Silva; 5) Evandro França Corrêa, contabilista, solteiro; 6) José Nazareno França Corrêa, solteiro, oficial da Marinha.  



[33] - Merece transcrição o que sobre este escreve Silva Leme:                “Esta família que contou entre os bandeirantes e exploradores do sertão vários vultos preeminentes, teve começo em S. Paulo em Cornélio Arzam, natural de Flandres, homem estimado e de recursos, que veio à Capitania de S. Vicente na companhia de D. Francisco de Sousa para edificar os engenhos das minas da Vila de S. Paulo com 200 cruzados de salário, como consta do requerimento que fez em 1627 ao Capitão-Mor Álvaro Luiz do Vale, em que pedia uma sesmaria, que lhe foi concedida, atenta a pobreza em que então se achava, por terem sido seus bens confiscados em 1620 em conseqüência da pena de excumunhão contra ele lançada pelos padres da Companhia de Jesus. Este Cornélio Arzam foi quem construiu a Matriz de S. Paulo em 1610, por autorização da Câmara da mesma Vila. Casou-se com Elvira Rodrigues, filha do Capitão-Mor Martim Fernandez Tenório de Aguilar, pessoa nobre e da Governança da Terra. Faleceu em 1638”.
Cornélio é avô de Antônio Rodrigues Arzam, filho do Cap. Manuel Rodrigues de Arzam e Mariana de Carmargo. “O Capitão Antônio Rodrigues Arzam, diz o mesmo Silva Leme, foi um destemido bandeirante e o primeiro que descobriu ouro em Minas Gerais”. Faleceu em 1696, entregando o segredo de seu roteiro ao seu concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, c.c. Maria de Camargo, irmã de Mariana, ambas  filhas do Cap. Fernando de Camargo Ortiz, este por sua vez filho do castelhano Jusepe Camargo, que foi casado com Leonor Domingues, filha do Carvoeiro.  Antônio R. Arzam atingiu o Rio Casca em 1692, e em vista do seu roteiro é que Bartolomeu Bueno de Siqueira veio para Minas em 1694, e em 1696 descobriu o rio que se ficou chamando Pitangui, e onde mais tarde se estabeleceu Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhanguera). Dois sobrinhos de Antônio R. Arzam – Manuel Corrêa de Arzam e Antônio Corrêa de Arzam, bisneto de Cornélio – como logo se verá, fizeram parte da expedição do coronel Antônio Soares Ferreira, enviado por Artur de Sá para penetrar no Sertão das Esmeraldas. Descobriram e exploraram: o ribeiro aurífero S. Antônio do Bom Retiro. Prosseguindo daqui com Lourenço Carlos e Baltazar Leme de Morais Navarro, os dois Corrêa Arzam, lançaram os fundamentos do arraial do Serro. O coronel Manuel Corrêa de Arzam, depois de forte divergência com Gerardo Domingues, em 1711, a propósito da posse do Rio de Peixe, foi nomeado Regente do distrito do Serro, no mesmo ano, pelo Governador Antônio de Albuquerque.
Muito se entrelaçaram os descendentes de Cornélio e Elvira, colaterais com colaterais. O seu 6º. Filho Capitão-Mor Cornélio Rodrigues de Arzam, c.c. Catarina Gomes Corrêa, filha de Manuel Gomes Corrêa e Ana Luiza do Passo, teve os filhos: I) Manuel Corrêa de Arzam; II) Ana Luiza de Arzam, c.c. Vasco da Mota; III) Ana Rodrigues de Arzam, c.c. Pedro Rendom, filho do castelhano D. Pedro Rendom; IV)Maria Corrêa de Arzam, c.c. Manuel Ortiz de Camargo; V) Catarina Gomes Corrêa, c.c. João Peçanha Falcão; VI) Padre Pedro de Arzam.
A terceira filha de Cornélio e Elvira, de nome Ana Rodrigues de Arzam, c.c. Belchior de Borba Gato, teve os filhos: I) Belchior de Borba Gato, c.c. Maria Pedro Cavalheiro, pais de Antônio de Borba Gato, Josefa Borba Gato, Ana de Borba Gato, c.c. Francisco Martins Prado.  Gaspar Afonso, c.c. Madalena Afonso, filha de Pedro Afonso e da índia tapuia, foram os pais de Maria Afonso, c.c. o castelhano Alonso Peres Calhamares que, entre outros filhos, tiveram a de nome também Maria Afonso, c.c. Manuel Rodrigues de Arzam, este filho do casal Cornélio-Elvira.




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