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sábado, 10 de outubro de 2015

As Origens de Meus Antepassados

Robert Walton. A new and Accurat Map of the World....,
1656-1659 39x52cm.

           
       Pertenço a uma grande família de Dores do Indaiá, região do Oeste de Minas Gerais, Brasil. Meus antepassados se estabeleceram na região em fins do século XVIII e durante o século XIX, e uma parte deles ainda ali se encontra. Meus ancestrais pertencem às linhagens das famílias Corrêa, Oliveira, Fiúza, Cunha, Ribeiro, Coelho, Mendonça, Souz(s)a e outras. A grande maioria se mudou de Dores do Indaiá e a maior parte reside em Belo Horizonte, capital do estado. Mas também se encontram espalhados por vários estados brasileiros. 


Frederick de Witt. Pascaert van Brasil
(Carta do Brasil), 1680   48x56cm


      O objetivo deste blog é compartilhar informações e fotografias de meus antepassados com os meus parentes, amigos e outras pessoas que estejam interessadas em trocar informações sobre seus ancestrais. É um blog aberto, que todos podem acessar e onde podem enviar informações, desde que pertinentes ao tema abordado. 
      Vou ilustrar esta viagem pelo tempo com mapas, pinturas, desenhos, fotos, vídeos caseiros e informações sobre a história de nossas linhagens. Essa história é muito antiga. Para algumas já existem indicações, mais ou menos precisas, de que tiveram origem na Antiquidade, mais exatamente na Palestina e Mesopotâmia. Para outras, encontramos lacunas genealógicas por períodos que podem abranger décadas ou séculos. Em uma delas, descobrimos uma tradição hebraica que, segundo a Bíblia, retroage sua genealogia até Adão, quando Deus criou o mundo. Fantasia ou não, são dados que merecem ser investigados e apurados na medida do possível.


Coronelli, Vincenzo (1650-1718). L'Amerique meridionale ou la Partie Meridionale des indes occidentales, 1689.

      Talvez, a verdade histórica nunca venha a ser completamente esclarecida, mas as tradições orais e escritas de um povo devem ser levadas em consideração, pois a genealogia moderna, a tecnologia investigativa histórica, a arqueologia, os estudos de história comparada têm confirmado muitas tradições orais que se supunham fantasias. Para outras famílias, tenho encontrado evidências documentais que remontam ao início da Reconquista da Península Ibérica, feito realizado pelos cristãos, quando começaram a expulsar os mouros de seu território. Para esta família, encontrei referências escritas que remontam à cidade de Toledo, Espanha, ainda no século X, provavelmente de origem moçárabe ou judaica.


Hondius, Hendrik (1597-1651). America Pars Meridionalis, ca.1640.


      Existem históricas edificantes, de grandes heróis entre nossos antepassados, que hoje são completamente desconhecidos entre nós. Alguns tornaram-se mesmo heróis em terras de Espanha e Portugal. Mas, encontramos também histórias tristes durante o negro período do império da Inquisição do Santo Ofício. Muitos deles foram vítimas desta instituição quando somente almejavam professar seu culto religioso em paz e conviver tranquilamente com pessoas pertencentes aos demais credos religiosos. Esta era a tradição de suas famílias havia quase dois mil anos. São histórias de horror, impensáveis nos dias atuais. Temos histórias de enlevos de amor, de despojamento, de aventuras, durante os tempos das Grandes Navegações, histórias de coragem e destemor. Mas também histórias de longa perseguição que levou muitos de nossos ancestrais a se embrenhar pelos sertões do Brasil, em particular pelas Minas Gerais do século XVIII, fugindo da fogueira e da morte certa nas garras da Inquisição. Muitos aqui participaram dos primeiros acontecimentos marcantes de nossa história, como as bandeiras, as primeiras atividades comerciais e as descobertas do ouro e de diamantes.



Bussemacher, Johann (1580-1613).  Peruuia id est Noui Orbis pars Meridionalis à proestantissima eius in Occidentem regione sic appellata,  1598.


      Existem histórias de fundadores de vilarejos que depois se tornaram cidades, de escritores corajosos, de homens humildes e iletrados, de pessoas trabalhadoras e honestas, que batalharam o sertão com sua rudeza e falta de total recurso. Muitos desses homens se tornaram líderes de comunidades incipientes. Um deles doou terreno de sua propriedade para a construção de um dos primeiros arraiais. Ao mesmo tempo, observamos que eram pessoas pacíficas, de boa índole, além de, como já afirmamos e ressaltamos, terem sido trabalhadoras e honestas. Mas, a marca do medo da maldade da Inquisição nunca os abandonou. Mesmo após a adoção da fé católica, após se tornarem cristãos-novos (antes todos, sem exceção, eram judeus ou moçárabes), não tinham confiança suficiente nas autoridades e fiscais da Coroa Real e dos inquisidores. Preferiram uma vida de mais recolhimento em suas fazendas, algumas muito distantes umas das outras, onde as notícias chegavam com muito vagar e se mantiveram isolados do mundo civilizado por anos ou décadas. Mas, assim poderiam preservar suas vidas preciosas e de suas famílias. Por isso, grande parte deles são pessoas que herdaram a discrição, o silêncio e a fuga dos holofotes, da publicidade e da fama.



Heinrich Bunting, 1581. Die Ganze Welt in Einen Kleberbat/Welches Est der... Hannover.     26/36 cm

      Há muito se diz no Brasil que os sobrenomes baseados em nomes de plantas (Carvalho, Oliveira, etc.), de animais (Leão, Carneiro, Lobo, Coelho, etc.), em toponímia (nomes próprios de lugares e geografia (Porto, Lisboa, Toledo, Évora, Ribeiro, etc.), alcunha (Moreno, Bueno, Preto, Branco, etc.), de profissões (Ferreira, Caldeira, Correia, etc.), derivados de pessoas (Fernandes, Henriques, etc.), são de famílias de origem judaica, de cristãos-novos e marranos. Tal crença é considerada hoje, na moderna historiografia judaica, como uma lenda. Muitos desses sobrenomes já eram usados por antigas famílias de cristãos-velhos na Península Ibérica desde a baixa Idade Média. Muitos desses sobrenomes podem não ter nenhuma relação com ancestrais hebreus. Podem ser de origem romana, visigoda, celta ou árabe. Descobrir quais famílias tem ascendência judaica é um trabalho que requer grande esforço, empenho, paciência e muito tempo de pesquisas.



Blaeu, Joan (1596-1673). Nova et accuratissima totius orbis tabula, 1659.


A grande dificuldade se dá no momento em que, pesquisando árvores genealógicas, nos deparamos com mudanças súbitas nos sobrenomes, que nada têm a ver com os que lhe sucedem temporalmente. Muitas vezes isso ocorreu em função da grande perseguição que a população hebraica sofreu na baixa Idade Média e no Renascimento por questões étnicas, religiosas, políticas e sociais. Muitas famílias hebraicas foram obrigadas a trocar seus sobrenomes, cristianizando-os, ou adotando os nomes de famílias antigas cristãs, para fugir às perseguições. Foram inúmeros os casos de famílias hebraicas unidas por laços de amizade ou de negócios com famílias tradicionais da Península Ibérica. Essas últimas acederam em emprestar seus sobrenomes para os judeus com a finalidade de protegê-los da fúria sanguinária da Inquisição e da turba ensandecida e ignorante, guiada por um sem-número de sacerdotes fanáticos. Na maioria das vezes, havia o sórdido interesse pecuniário da expropriação do patrimônio das famílias judaicas para fins de enriquecimento pessoal ou de poder político.

Ortelius, Abraham (1527-1598). Typus Orbis Universalis, 1587.

Desta forma, cada caso é um caso e demanda uma pesquisa própria e particularizada. Abaixo, apresentamos uma lista de famílias que, mais frequentemente, são apontadas como de origem hebraica entre nós. Muitas o são realmente, outras não. De qualquer forma, é interessante conhecer essa lista para se ter uma ideia da importância judaica em nossa formação histórica e da composição de nossas atuais famílias. Certeza mesmo, só com o teste do DNA mitocondrial, onde a genética poderá nos demonstrar qual o grau de parentesco que cada uma delas tem com o povo judeu. Na Europa e nos Estados Unidos, hoje em dia, os testes de DNA são cada vez mais frequentes, principalmente em estudos históricos e antropológicos. Em Portugal já existem inúmeras estatísticas mostrando, em percentuais, a relação genética da população lusitana com o povo hebreu.

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão

C

Cabaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga




Pirî Reis, c. 1554. Mapa Mundi.


       Desde jovem eu ouvia falar sobre a ancestralidade judaica de famílias como os Oliveira, Carvalho, Ribeiro, Teixeira, Coelho, Leão e outras. Mas não havia publicações nas quais pudesse pesquisar e encontrar um pouco da verdade dos fatos. Somente nas últimas décadas um enorme volume de trabalhos veio a lume trazendo grandes subsídios sobre esse tema tão desconhecido e mantido secreto por séculos. Visando contribuir para a divulgação de tais conhecimentos aqui faço uma digressão sobre o tema, sabendo que muita coisa ainda precisa ser esclarecida. Existem ainda muitas dúvidas e fatos desconhecidos, mas já existe um substancial corpo de evidências que não podem mais ser questionadas.  


Charles Inselin. Mape Monde planisphere ou carte generale du monde. 17__


      Esta é uma história da saga de várias famílias, que por injunções geográficas acabaram se cruzando e entrecruzando, gerando uma miscigenação sem fim. Casamentos de primos com primas tornou-se uma tradição, para o bem ou para o mal. Para o bem, já que o patrimônio familiar se mantinha preservado entre eles, assim como a união, companheirismo e solidariedade entre todos. Para o mal, com o surgimento de moléstias genéticas degenerativas, que tiveram e ainda têm se manifestado com certa frequência.



Blaeu, Willem Janszoon (1571-1638) Mappe Monde, ca.1725.


      Percebemos que, hoje em dia, os mais jovens desconhecem quase por completo a história de seus antepassados. Procurarei resgatar parte desse passado para que todos o conheçam. Este não é um blog de um historiador, mas sim de um amante da história e da genealogia. Não conto com os instrumentos precisos desenvolvidos pela recente historiografia e pela arqueologia. Mas é um trabalho que me tem requerido um enorme esforço e tempo e procuro me ater, o máximo possível, a fatos já documentados. Faço-o por que gosto e por prazer. Faço-o com amor e, por que não dizer, com respeito e admiração pelos atos de coragem e bravura que muitos encetaram e com tristeza pelos outros atos mesquinhos que a história registrou. Recorro a uma vasta bibliografia colecionada em bibliotecas públicas, arquivos públicos e privados, livrarias, sebos, internet e com a cessão de material genealógico e textos enviados por amigos, parentes e colaboradores. A todos agradeço de coração.

      Um povo que não conhece seu passado não tem futuro!


3 comentários:

  1. SEMPRE FUI INTERESSADA PELOS FATOS HISTÓRIC OS E AGORA, AGRACIADA COM SEUS RELATOS SOBRE ÁRVORE GENEALÓGICA DE FAMÍLIAS CONHECIDAS E RESPEITADAS ,ESTOU MUITO INTERESSADA,PARABÉNS PELA INICIATIVA

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  2. Muito obrigado, D. Amélia. Seu incentivo é importantíssimo. Caso a senhora tenha informações sobre nossos antepassados que não constem de meu texto, elas serão muito bem-vindas. Todas as fontes de referência são citadas.
    Um grande abraço.

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  3. acho que reconheço esta casa que seu filho pintou, pelo menos internamente é bem parecida,a fornalha, a tipo do telhado,etc tenho uma foto no link http://www.panoramio.com/photo/126646628
    belo relato da descida da serra, foi como se eu estivesse naquela jardineira.
    saudações - alto abaete

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