quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Reconquista


Califado Al-Andalus. Século X.


Havia uma grande insatisfação na Península Ibérica com o tipo de governo desenvolvido pelos muçulmanos, que abusava da arrogância, do poder exacerbado de seus líderes e pelas disputas e lutas internas fratricidas. A maioria dos judeus morava na região de Al-Andaluz, mas progressivamente fugia e buscava refúgio na região norte, onde os cristãos detinham o poder. Até então, havia poucos judeus em territórios cristãos e ocorreu incremento na fuga dos judeus para o norte, entre os séculos X e XI.




No século X começou uma lenta, mas progressiva, perda de territórios mouros para os cristãos. Muitos judeus passaram a colaborar com os cristãos em sua tentativa de reconquistar o território, anteriormente visigodo e perdido para os mouros. O papa Alexandre II aconselhou os bispos a respeitar a vida dos judeus. No início dessa migração judaica, surgiram disposições cristãs no sentido de proteger judeus no Condado de Barcelona. Entre os mouros, surgiu um sentimento de revanche, com inúmeros massacres de judeus colaboracionistas dos cristãos.


A Reconquista de Al-Andalus, em diferentes períodos.


O rei de Castela Alfonso VI iniciou uma política favorável aos judeus o que os levou a cargos administrativos do reino. Na batalha de Sagrajas, os judeus combateram ao lado do rei de Castela. No reino de Aragão existem relatos de judeus que eram contratados para educar membros da família real. Sucessivamente, foram caindo cidades ao norte do território de Al-Andaluz. Os almorávidas, fanáticos e mais radicais, do norte da África, invadiram Al-Andaluz e destruíram o Império Omíada, numa luta fratricida. Em 1085, após longo e penoso cerco, que envolveu a destruição dos campos férteis das proximidades e o surgimento da fome que se alastrou entre os mouros, caiu Toledo, a cidade mais importante até então conquistada. Logo, Alfonso VI estabeleceu aí a capital do reino de Castela. Toledo transformou-se no polo de três culturas e três religiões: a cristã, a muçulmana e a judaica. A partir de 1125 começa a funcionar a chamada Escola de Tradutores, que contava com importantes intelectuais judeus. Eles traduziam obras do árabe para o romance (mistura de hebraico com latim e a língua local) e logo se deu o encontro entre a cultura clássica e o pensamento cristão, quando foi traduzida a obra de Aristóteles. Praticamente, todo o conhecimento humano da época foi conservado e transmitido por sábios judeus.



Rei Alfonso VI, de Castela.


O maior de todos os nomes judeus, do período, foi Moisés Maimônides (Moshe ben Maimon), também conhecido como Rambam. Filósofo, religioso, codificador rabínico e médico, tornou-se uma figura fulgurante no universo da cultura medieval. Nascido em Córdoba, em 1135, foi expulso pelos mouros, após estes terem recapturado (por pouco tempo) a cidade de Córdoba. Após doze anos de peregrinação pelo sul da Península, fugiu, com sua família para Fez, no Marrocos, e, de lá, dirigiu-se a Fostat, então capital do Egito. Em todos os lugares onde viveu exerceu com brilho seus conhecimentos de liderança e administração, granjeando fama internacional. Profundo conhecedor da Torá, codificou os 13 princípios fundamentais do judaísmo. Morreu, em 1204, em Fostat e foi sepultado em Tiberíades, na atual Israel.


Maimônides



Mesmo assim, foi uma época de insegurança para os judeus. Eles eram considerados propriedade do rei e os impostos que pagavam eram revertidos para a coroa. Como a luta contra os mouros se intensificasse, os reis cristãos utilizavam o dinheiro dos judeus para financiar suas campanhas bélicas. No final do século XII, ocorrem saques e matanças em algumas juderias, como as de Toledo e Leão. O IV Concílio de Latrão, sob o comando do papa Inocêncio III, impõe aos judeus o uso de distintivos especiais na roupa para que pudessem ser distinguidos dos cristãos, mas o rei Fernando III, necessitado do dinheiro dos judeus, conseguiu tornar sem efeito tal medida.


IV Concílio de Latrão. O papa Inocêncio III preside a última sessão do 
IV Concílio de Latrão em 30 de novembro de 1215, quando
foram reforçadas as restrições aos judeus.


Casa de Maimonides, em Fez, Marrocos.


Os reis do século XIII, em geral, foram favoráveis aos judeus, mas a pressão da Igreja, que almejava sua conversão, foi de tal ordem que se estabeleceu, em Aragão, o Tribunal da Inquisição. Após a conquista de Mallorca e Valência, Jaime I concedeu aos judeus benefícios e propriedades, bem como privilégios para que exercessem seus ofícios. Essa relação entre os judeus e os reis podia ser interpretada como uma troca de favores: eles prestavam serviço, mantinham a lealdade e supriam os reis com dinheiro e, recebiam, de volta, proteção e autonomia. Os judeus eram explorados e não podiam reclamar. Mas, os nobres e o populacho se rebelavam e se amotinavam ameaçando e matando judeus. 


Judeu. Vasco Fernandes, primeira metade do século XVI.
Óleo sobre madeira. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.
Retrato de um judeu pobre, um dos poucos que
sobreviveram ao apagamento da imagem judaica em Portugal.


A Igreja acusava os judeus de deicídio, pela morte de Jesus Cristo, e não se acanhava em empregar todos os meios ao seu alcance para conseguir sua conversão. Foi quando teve lugar os enfrentamentos teológicos de Barcelona entre o converso Pablo Cristiano e o grande filósofo judeu Nahmánides, em 1252, debates que persistiriam cento e cinquenta anos mais tarde em Tortosa. 

O rei Alfonso X, o sábio, rodeou-se de intelectuais judeus, já que falavam e escreviam o árabe, conheciam esta cultura e mentalidade, além de conhecerem bem suas áreas urbanas, conhecimentos estratégicos para o rei. Entretanto, nas Cortes de Valladolid e Sevilha, surgem elementos legislativos discriminatórios para com os judeus. Os empresários e almoxarifes judeus de Alfonso X foram acusados de traição e infidelidade e sua condenação trouxe para os cofres do reino uma fabulosa multa de 12 mil maravedis, a moeda da Península, na época.


Alfonso X, o Sábio.


No século XIII, os diversos reinos cristãos da Península passam por grandes mudanças, o que alterou o aparato governamental e administrativo, que, mais tarde, exerceu grande influência no mundo moderno. Apesar dos judeus terem contribuído para esse progresso, eles viram levantar-se contra si um clima insuportável de ódio, que tinha raízes profundas na Europa ocidental. O Odium Theologicum (argumentação usada pela Igreja Católica para combater o judaísmo, que era visto como concorrente, para cortar os laços que ligavam as duas religiões no início do cristianismo, ódio que gerou o antissemitismo), surgiu com força total e se tornou ameaçador e terrível.
Em 1212 ocorre a sangrenta batalha de Las Navas de Tolosa, onde o futuro da Península tornou-se mais claro. O islamismo enfraquecido, deixava espaços vitais para os cristãos. Isso também foi determinante para o futuro dos judeus.


Batalha de Las Navas de Tolosa. F.P. Van Halen. Século XIX. Óleo sobre tela.
Palácio do Senado, Madrid.


Em 1313, o Sínodo de Zamora, impôs a opinião de setores mais radicais da Igreja, ressuscitando as prescrições do Concílio de Latrão e proibindo os judeus de serem médicos de cristãos. Em 1348 surge a Peste Negra, o que aumentou o ódio antissemita. Os judeus são acusados falsamente de sua propagação. Após uma luta fratricida entre Enrique de Trastámara e seu irmão Pedro I, graves consequências advieram para o reino, principalmente para os judeus sefaradis o que contribuiu para a efervescência como numa panela de pressão. Isso desembocou nas matanças de 1391, em que ocorreu o primeiro genocídio antijudaico.


Peste Negra. Ilustração do século XIV. Doentes recebendo as bênçãos de um clérigo.


Os judeus haviam sido, por séculos, os encarregados de recolher tributos para o tesouro real. Sua proximidade com o rei e os nobres, bem como dos prelados da Igreja, era de tal ordem, que pode ser compreendido o vazio surgido no século seguinte, com sua expulsão da Península. Suas posições eram difíceis de serem mantidas, pois, apesar de serem indispensáveis para a classe alta, eram vistos como exploradores pela classe baixa, o que atraía o seu ódio. Isso foi facilmente aproveitado pelo clero para desencadear perseguições antissemitas. Mesmo com a defesa dos judeus feitas pelos reis, que viam sua importância para a economia estatal (até Fernando de Aragão, o Rei Católico, reconhecia isso, pois também corria em suas veias sangue judeu), não foi possível conter a avalanche de acontecimentos que culminou com sua expulsão da Península. 


Judeus queimados vivos, em decorrência da crença
de que eles transmitiram a Peste Negra.


Com o advento do século XV, a perseguição aos judeus assumiu traços de ferocidade e os reis se tornaram impotentes para detê-la, pois sua popularidade estava em risco. A nobreza foi, progressivamente, se emparelhando economicamente com os judeus, enfraquecendo sua posição.




Abraham Ortelius.
Antuérpia, 1570. 
Considerado o primeiro atlas moderno, fruto das descobertas
lusas e hispânicas dos séculos XV e XVI.


Apesar de tudo, os judeus sefaradis abriram, dentro do judaísmo, caminhos novos em áreas de conhecimento filosófico e místico. Avançaram na interpretação de textos sagrados, entrando também em áreas do conhecimento que se ampliava no período, desde a exegese bíblica do direito até a cartografia náutica, desde a cosmologia até a astrologia, desde a alquimia até a medicina e matemática. Isso, sem dúvida, contribuiu para que a Espanha e Portugal se tornassem as potências marítimas que foram, entre 1450 e 1500.



O Período Muçulmano na Península Ibérica


Em fins de abril de 711, os exércitos islâmicos de Tariq Ibn Musa, em grande parte da etnia berbere, saíram do norte da África, atravessaram o Estreito de Gibraltar, e invadiram a Espanha. Em 19 de julho deste mesmo ano, durante uma batalha, foi morto o último rei visigodo, Dom Rodrigo. Pouco depois, Córdoba foi sitiada e tomada. Uma parte dos judeus exilados voltou à sua terra natal e não foram hostilizados pelos muçulmanos. Estes estavam preocupados em perseguir as tropas visigodas no norte do país. Os judeus, após alguns séculos de opressão visigótica, acolheram os invasores com muita esperança de melhores dias. Chegaram mesmo a colaborar com os invasores, usando de estratagemas para a entrada dos exércitos muçulmanos nas cidades. Os judeus foram bem acolhidos e a eles foram atribuídas responsabilidades antes inimagináveis, como a administração de algumas cidades conquistadas, como Toledo e Sevilha. Eles agiam como uma ponte entre os cristãos e os muçulmanos, agiam como colonizadores, e acabaram tendo a confiança dos dirigentes árabes (Faiguenboim e cols., 2004).

A expansão da dinastia omíada para o oeste e invasão da Península Ibérica.


No começo, judeus, cristãos e muçulmanos conviveram em paz. Os muçulmanos contaram com a colaboração dos judeus em áreas como a administração e comércio, o que fortaleceu comunidades judaicas. Esse ambiente de tolerância possibilitou o florescimento cultural, científico e econômico de ambas culturas. O hebraico foi reabilitado como língua literária e diversas academias e sinagogas foram fundadas em Córdoba e Lucena. Foi o período da dinastia muçulmana dos omíadas.

Os omíadas compunham uma dinastia de califas muçulmanos do clã dos Coreichitas, que subiu ao poder em Damasco no período de 661 a 750. Entre 717 e 724, eles viveram seu período de apogeu, quando foram derrotados pela dinastia dos abássidas. O sucessor, Abdelhaman, foge para a África do norte e, em seguida, para a Espanha, aí dando continuidade a essa que foi a mais fecunda administração muçulmana na Europa. Transformou a região em Emirado e estabeleceu Córdoba como sua capital, em 756.

A expansão omíada.





Os judeus eram muito melhor tratados pelos muçulmanos (mouros) do que pelos cristãos, que eram especialmente cruéis com eles. Mas, ainda não era a situação ideal para os hebreus. Os mouros impuseram aos dhimi (minorias cristãs e judaicas que viviam no mundo islâmico) o pagamento de pesados tributos pelo simples fato de serem tolerados em suas cidades. Os judeus e cristãos foram tolerados em suas crenças e atos religiosos e prosperaram economicamente. O califa Omar (634-644) estabeleceu o que foi chamado de Pacto de Omar (Shurut), que foi uma legislação reguladora de normas para a permanência dos povos do Livro (cristãos e judeus) em zonas islâmicas.

Grande mesquita de Córdoba, cuja construção foi iniciada por Abdelhaman.

A dinastia omíada abriu uma nova época para os judeus, governada pelo emir Abdelhaman, a partir de Córdoba. Esse período durou 250 anos. Apesar das lutas internas pelo poder, entre os muçulmanos, a situação dos judeus permaneceu mais que satisfatória. Nesse período, houve judeus que se destacaram, como o médico e diplomata Rabi Hasdai Ibn Chaprut. Foi o apogeu do período muçulmano na Península Ibérica. Os sábios e eruditos muçulmanos preservavam e difundiam a cultura, a filosofia, a filologia, a mística, as artes e as ciências, como nunca se vira antes. Obras greco-latinas que, se não tivessem sido traduzidas do grego e do latim para o árabe, e, posteriormente, novamente para o latim, jamais teriam chegado aos nossos dias. Esta foi a Idade de Ouro dos judeus na região. A cultura judaica se beneficiou muito desta atmosfera de tolerância e o intercâmbio entre sua cultura e a muçulmana foi sempre estimulado pela corte (Amador de los Rios, 1876; Faiguenboim e cols., 2004).

As taifas em 1037 d.C.


Em 1031, o califado de Córdoba, um verdadeiro Império Omíada, o mais importante estado muçulmano no Ocidente, foi fragmentado em províncias administrativas ou reinos independentes, chamados de “taifas”, governados pelos “reyes de província”, o que possibilitou o incremento da cultura e importância das comunidades judaicas, e algumas chegaram mesmo a um certo esplendor. Destacaram-se as comunidades judaicas de Granada e Saragoça, onde judeus ocupavam os mais importantes cargos da corte e exerciam o mecenato, incentivando as artes e o saber. Os judeus de talento tiveram grandes oportunidades nesse período e o mais importante deles foi Samuel Ibn Nagrila (Shmuel Há-Naguid). Ele foi vizir, príncipe, líder comunitário, rabino e general do exército de Granada (rei Badis). Foi também um poeta erudito e talentoso. Havia um clima de florescimento da cultura árabe que suplantava a latina. Os cristãos vestiam-se com roupas árabes, os costumes e liturgia religiosa eram muçulmanos. Se, na Antiguidade, os sábios provinham da Babilônia, no período omíada eram provenientes da Península Ibérica. O clima era de sabedoria e conhecimento (Faiguenboim e cols., 2004).

Sinagoga de Santa Maria la Blanca, em Toledo. Influência da arte islâmica.



Mas, nem tudo era paz. Havia também muita corrupção, e dificuldades econômicas vieram no seu rastro, o que levou os judeus a abandonar as cidades do centro e do sul da Península. A instabilidade do estado muçulmano levou os judeus a migrar para o norte, para as cidades cristãs, onde havia a promessa de uma vida melhor. A grande virada na sorte dos judeus ibéricos se deu em 1066, quando uma revolta depôs e assassinou o sucessor de Samuel Ibn Nagrila, seu filho Yossef. Logo, os judeus perceberam que seu período de paz com os muçulmanos chegara ao fim.

A influência islâmica nas sinagogas. Extraído de Faiguenboin e cols., 2004.

Durante certo período da invasão muçulmana na Península Ibérica (do século XI ao século XV, os omíadas foram substituídos por três dinastias mouras que governaram a região, denominada de Al-Andaluz: os almorávidas (1090-1147), os almóadas (1147-1232) e os nazarís (1232-1492).
As taifas, em 1080.


Ao mesmo tempo, Castela, o mais poderoso dos reinos cristãos, preparava-se para atacar os mouros ao sul. Em 1086, o rei Alfonso VI conquistou a cidade de Toledo, após uma sangrenta batalha. Começava o que foi consagrado pela História como o período da Reconquista

O período visigótico



  



Durante o período da dominação romana a permanência dos judeus na Península Ibérica foi relativamente tranquila e reinou a paz entre aqueles que professavam ritos pagãos e os que temiam ao Deus de Israel. O Império Romano começou a cair em 410, quando Alarico, comandando um considerável contingente de visigodos, invadiu e saqueou a capital.



Invasão da Europa pelos Hunos, que obrigou os Godos a migrarem para o oeste. Estes se dividiram em Ostrogodos (no leste) e Visigodos (no oeste).


Em 476 houve a queda definitiva do Império Romano, com sucessivas invasões de hordas bárbaras de visigodos, suevos e vândalos. Os visigodos dominaram toda a região central, sul, oeste e leste da Hispania. Os suevos permaneceram no norte e os vândalos atravessaram o Estreito de Gibraltar e se estabeleceram no norte da África.



Rômulo Augustulo (o último imperador de Roma) abdica à coroa para Odoacro


Os grandes grupos bárbaros e suas rotas de migrações para o oeste.



Rotas dos Visigodos e Vândalos


Extensão do reino visigótico no V século d.C.





As hordas visigodas, já então cristianizadas, professavam o arianismo adquirido ainda quando estavam estacionadas no leste europeu. Os visigodos, mesmo sendo bárbaros, aplicavam as leis romanas. Mas o cristianismo romano, não ariano, passou a exercer, cada vez mais, uma influência predominante sobre a população ibérica. Os cristãos passaram a se sentir incomodados com a importância política, social, cultural e econômica da população judaica. Em 587 a.D., sob o reinado de Recaredo, as comunidades judaicas passam a ser completamente dominadas e se inicia uma época de perseguições, isolamento e expulsões. Foi nessa época que surgiram as primeiras aljamas e juderías das cidades espanholas, onde havia grandes assentamentos judeus.

A influência ibérica da comunidade judaica havia sido de tal ordem que, no século IV, foi realizado um concílio em Elvira, localidade próxima ao antigo povoado romano de Ilíberis, onde foram editadas leis antijudaicas, como a proibição do casamento com judeus e até mesmo a proibição de sentar-se à mesma mesa com judeus.

Sob o domínio dos reis arianos (cristãos, mas não católicos), como Teodorico II, Eurico e Atanagildo, os judeus puderam usufruir de um período de paz e tranquilidade na Ibéria. Leovigildo foi um guerreiro hábil e grande líder. Teve dois filhos: Hermenegildo e Recaredo. O primeiro converteu-se ao catolicismo, aconselhado por seu tio, Leandro de Sevilha, e foi decapitado por ordem de seu pai em 585. Leovigildo morreu em 585 e Recaredo assumiu o trono.

Por ocasião do III Concílio de Toledo, em 587, Recaredo I abandonou o arianismo e adotou a fé católica como religião, ao mesmo tempo em que decretava esta a religião do estado. Seus sucessores foram cruéis perseguidores de judeus e arianos. No início, os judeus se recusaram a adotar o catolicismo, o que foi interpretado como uma afronta intolerável para a autoridade do estado e do clero católico. Recaredo proibiu a circuncisão, a celebração da Páscoa, o matrimônio que não fosse cristão e os mestres somente poderiam ser cristãos. O rei Sisebuto, em 613, estabeleceu leis que obrigavam os judeus a converter-se ao catolicismo. Surgiu assim, pela primeira vez, a figura dos cristãos-novos, tipo de novatos que deviam ser integrados plenamente à sociedade. Nesse período, alguns judeus decidiram abandonar a Península Ibérica, rumando para a África do Norte, através do Estreito de Gibraltar. Os que ficaram não conseguiram viver em paz.


Conversão de Recaredo I. Antonio Muñoz. Óleo sobre tela.


Após o concílio de Égira (702), e sob o reinado de Witiza (710) e Rodrigo (711), a situação dos judeus foi piorando, quando passaram a sofrer acusações de conspiração contra a coroa, tiveram seus bens confiscados e foram afastados de seus filhos, para que eles fossem educados como cristãos.


Reis visigóticos. Iluminura do Códice Albeldende (976 do Escorial). 
Scriptorium do Mosteiro de San Martín de Albelda.


Isso só terminou em 711 com a invasão muçulmana, com as tropas islâmicas comandadas por Tariq Ibn Musa, numa operação rápida e eficiente. 

 

Os judeus como antigos habitantes da Ibéria



A repartição das terras entre as 12 tribos. Mapa de 1759: Terra Sancta sive Palæstina exhibens no folum Regna vetera Iuda et Israel in fuas XII Tribus diftincta...  Fonte: Library of Congress historical maps.



Vários cronistas mencionaram a chegada e a contribuição dos judeus à civilização ibérica. Podemos citar Luis del Marmol Carvajal que fala da revolta dos mouros em Granada, assinalando a chegada dos judeus a essa cidade. De acordo com textos judaicos, o jesuíta Juan de Mariana, em sua obra Historia de España,  refere-se a cidades que foram construidas por judeus, como Toledo (Toledot), Escalona (Asquelon), Noves (Nobe), Maqueda (Magedon/Meguido), Yepes (Jope/Jaffo). Estes nomes teriam origem hebraica. Este autor também descreve a colonização judaica na cidade de Mérida desde os tempos de Vespasiano e Tito (Faingold, 2004).  


Mérida - Anfiteatro romano



Segundo fontes judaicas, a chegada dos judeus à Península Ibérica pode ser encontrada na obra de Heráclio, Pirro e Hispano. Esses autores reconheceram a antiguidade do judaismo nesta região. Fizeram também um apelo à população judaica para que contribuisse no desenvolvimento e cultura da sociedade ibérica. Também os sábios Isaac Abravanel e Salomão Ibn Verga confirmam a antiquidade dos hebreus na Ibéria. Faingold (2004) cita os comentários de Abravanel, em 1493, ao Livro dos Reis (Abdias versículo 20 e Zacarias 12:7) que trazem grande ajuda no entendimento sobre a chegada dos judeus à Península Ibérica. Abravanel, sobre o Livro dos Reis, relata que "foi o rei Pirro quem trouxe habitantes de Jerusalém pertencentes às tribos de Judá, Benjamin, Simão, Levitas e Sacerdotes, e muitos outros homens, por própria vontade...". Nesse texto, ele cita duas cidades em Castela: Lucena e Toledo. Estas localidades têm relação com lugares bíblicos, o que reforça a presença dos judeus na Península Ibérica.

Don José Amador de los Rios, em sua monumental obra publicada, pela primeira vez em 1848, História Social, Política y Religiosa de los Judíos de España y Portugal, já em sua introdução nos diz:
"Difícil será abrir a história da Península Ibérica, seja civil, seja política, seja religiosa, ora cientifica, ora literariamente considerada, sem tropeçar em cada página com algum fato ou nome memorável, relacionado à nação hebraica, há cerca de dois mil anos errante e dispersa em meio às demais nações. As crônicas dos reis, as histórias das cidades e das ordens religiosas, tanto militares, como conventuais ou monásticas, os anais das famílias, estão repletos de acontecimentos, que teve por um longo período o povo de Israel parte mais ou menos ativa e direta."
Os judeus sempre deram grande importância à tradição relacionada às suas origens. Isso já era apontado por Salomon Ibn Verga, em sua obra Vara de Iehudá, onde podemos aquilatar sua dimensãoFaingold (2004) relata o diálogo de dois personagens da história, o rei Alfonso e o sábio Tomás,  quando o primeiro diz: "não há nenhum povo que possa testemunhar os inícios de Espanha como o povo judeu..." O rei afirma que os godos seriam descendentes de Gad, filho de Jacó, enquanto o sábio Tomás aponta "o papel que tiveram Pirro e Hispano na conquista de Jerusalém nos tempos de Nabucodonosor, e o destino dos exilados trazidos à antiga Espanha, ou seja, Andaluzia e Toledo".




Toledo, região de Castela. Foi capital até 1561. Reproduzida de Faingold, 2004.



A presença dos judeus na Espanha pode ter um importante indício na Epístola aos romanos, de Paulo de Tarso, quando manifesta sua intensão de se deslocar até a Hispania para pregar o evangelho (Romanos 15:24-28).


Judería de Toledo



Outro indício importante é uma carta encontrada na Guenizah (recinto onde se guardam livros sacros danificados que, por lei religiosa, não podem ser destruidos), onde são mencionados que os judeus de Pumbedita, na Babilônia, se relacionam com os judeus da Espanha. Nessa carta, na época de Alexandre Magno, lê-se que "os babilônios teriam aconselhado os sábios de Jerusalém a ir para a Espanha, uma vez que ali se encontravam sábios do primeiro exílio". Isso tudo acentua a cultura e erudição rabínicas na Península Ibérica (Faingold, 2004).



Limites da judería de Toledo



Para Ibn Daud, a colonização judaica começou em Mérida, onde morava "um bordador de tapetes e especialista em trabalhos de seda chamado Baruch, estabelecido com toda sua descendência" (Faingold, 2004). Nesta cidade, havia um grupo de judeus muito antigo. Relata também que em Granada "seus habitantes eram descendentes de Judá e Benjamin, todos vindos de Jesuralém, a Cidade Santa, e não de aldeias rurais". Cidades como Lucena, Sevilha e Granada foram habitadas por judeus da alta sociedade.



Toledo - O palácio da Alhambra


Moisés ben Rabi Semtov Ibn Habib, em sua obra poética Darchei Noam (Caminhos agradáveis), assim escreveu (Faingold, 2004): "Doy fé, por los cielos y la tierra, que al encontrarme en el reino de Valencia, en la comunidad de Murviedo, me dijeron todos los que estaban congregados a la entrada de la ciudad, que alli se encontraba el sepulcro del jefe del ejército de Amasías, rey de Judá".

O cronista Luis de Lucena relata que encontrou uma inscrição numa lápide na cidade de Murviedo, descoberta em 1480, que diz o seguinte: "Este é o sepulcro de Adoniram, tesoureiro do rei Salomon, que veio para cobrar o imposto, e morreu" (Faingold, 2004). Outras inscrições se referem à chegada de nobres judeus à Península Ibérica. Uma delas é da época de Amasias, rei de Judá. Faingold (2004), relata que a mais antiga inscrição sobre a colonização judaica é uma lápide escrita em hebraico, latim e grego, na cidade de Tarragona. Foi cinzelada em mármore e possui desenhos e inscrições (foto abaixo). Estão visivelmente representados um pavão, um chifre de carneiro (shofar), um candelabro, a árvore da vida, um segundo pavão e uma inscrição em hebraico que diz: "Shalom al-Israel, aleinu ve-al-baneru", que significa "Paz sobre Israel, sobre nós e sobre nossos filhos". Este é o único sarcófago judeu encontrado na Espanha.











As Origens: Sefarad

Em minhas pesquisas sobre as origens de meus antepassados tenho feito descobertas extraordinárias. Desde criança eu demonstrava interesse em conhecer nossas origens, mas poucos de meus familiares podiam oferecer-me alguma informação que fosse além de seus avós ou bisavós. Havia não apenas pouco interesse em conhecer nosso passado, mas como também eu percebia uma certa má vontade dos mais velhos em aprofundar-se mais sobre o tema.

    Em 1965 meu pai presenteou-me com o livro Serra da Saudade, escrito por meu tio-avô Carlos Cunha Corrêa, que meu pai recebera do autor muito tempo antes, pois, além de sobrinho, era seu afilhado. Fiz uma primeira leitura rápida em função do tempo que me era muito escasso, já que eu cursava naquela época o 2o. ano da Faculdade de Medicina da UFMG. Desde então, meu interesse pela nossa genealogia brotou. Cheguei mesmo a fazer, em 1965, alguns esboços, em forma de tronco de árvore com seus galhos representando cada nome dos nossos ancestrais descritos por meu tio.

    Há cerca seis anos, após concluídos os trabalhos e publicado meu quarto livro na área de medicina e neurociências, decidi-me a dedicar novamente às leituras de nossa genealogia, acompanhados da leitura de textos de história do Brasil, da América espanhola, de Portugal e da Espanha. Foi quando um mundo novo se descortinou para mim. E, a cada dia, faço novas e fascinantes descobertas. Reforço aqui a afirmação de que não sou historiador ou genealogista, mas um diletante interessado por esses temas por demais fascinantes.



Abraham Ortelius. Americae Sive Novi Orbis, Nova Descriptio, 1595 (36x50,5cm).




    Eu sempre ouvira falar que nomes familiares que representassem plantas e animais seriam de origem judaica. Mas, meu conhecimento nunca ultrapassara esses limites. Sabia também que a família Oliveira era uma das mais tradicionais famílias apontadas como tendo origem judaica. Após muitas leituras, que continuam, pois nas últimas décadas um volume considerável de livros, teses, dissertações e todo tipo de apresentações e textos na internet veio a lume, pude descobrir um pouco desse mistério que rondava o passado de nossas linhagens familiares. Logo no início certifiquei-me de que não havia mais dúvidas: somos mesmo descendentes de famílias judaicas. Mas, como pode ser isso, já que meus antepassados vivem há mais de dois séculos na região do Alto São Francisco e Oeste de Minas Gerais? Como foram parar lá, naquilo que muitos chamam de "fim de mundo"? É o que tentarei agora responder, pelo menos parcialmente, dentro dos modestos conhecimentos que tenho adquirido.

    Quanto mais pesquiso e leio, mais fascinante vai se tornando essa história que, na realidade, é uma verdadeira saga de famílias. Assim como o Oeste norte-americano foi desbravado por um punhado de gente corajosa, temerária e aventureira, conosco aconteceu alguma coisa semelhante. Mas não no sentido de desbravar o sertão utilizando da violência, do genocídio e da crueldade contra os povos autóctones, da destruição de toda a cultura antes existente, somente com o fito do enriquecimento pessoal e de suas família. Esta saga tem outra conotação completamente diferente. Vamos a algumas considerações do que já é sobejamente conhecido pelos historiadores e genealogistas.



Joan Oliva. Carta Portulano do Mediterrâneo, c.1610 (54x94,7cm).



Das Erst General/Inhaltend die beschreibung...
Sebastian Münster,1550-1578    26,4x37,7cm


A presença de judeus na Península Ibérica remonta aos tempos bíblicos. No Livro de Jonas há o relato de que este profeta foi designado pelo Deus de Israel para ir até Nínive, na Assíria, então conhecida pela sua crueldade com os inimigos, matando-os pela crucifixão, empalamento ou até esfolamento vivo. Com receio do povo assírio e de sofrer alguma violência, Jonas fugiu em um pequeno navio em direção a Tarsis, do outro lado do Mar Mediterrâneo (Mar Interior, para os romanos). Tarsis, hoje se sabe, fica na região sudoeste da Espanha, mais exatamente na Andaluzia. Os Fenícios e Gregos a chamavam de Tartessos.


A distância era tão grande que há referências de que se levava um ano nesse trajeto. Ainda próximo à costa da região assíria, uma violenta tempestade irrompeu, com risco do barco sossobrar. Os marinheiros, receosos de que isso se devesse à ira do Deus de Israel, em função da fuga de Jonas, o jogaram ao mar. A tempestade imediatamente serenou, mas, por ordem de Deus, um grande peixe o abocanhou e ele ali passou três dias e três noites, sendo depois depositado são e salvo em uma praia para que pudesse dar continuidade à sua missão.

Página do livro do Profeta Jonas. Pode-se ver no desenho o profeta sendo atirado ao mar pelos marinheiros enfurecidos e, ao mesmo tempo, sendo abocanhado pelo grande peixe.
Reproduzido de: Fainguenboin, Guilherme; Valadares, Paulo; Campagnano, Anna Rosa. Dicionário Sefaradi de Sobrenomes. Inclusive cristãos-novos, conversos, marranos, italianos, berberes e sua história na Espanha, Portugal e Itália. 2ª. Edição Revisada. Rio de Janeiro. Editora Fraiha, 2004; pág. 26.


A tradição oral nos diz que desde os tempos de Salomão (930-931 a.C.) um grande número de judeus emigrou para a Península Ibérica, ora fugindo às perseguições de assírios e babilônios, ora em busca de uma terra prometida, que se assemelhasse muito em geografia e clima com a sua amada Eretz Israel (terra de Israel). Foram sucessivas levas de judeus que emigraram. No século anterior a Cristo existem referências de novas emigrações.


Rei Salomão, filho de Davi, em seu trono.


Reprodução presuntiva do primeiro templo de Salomão.


Mas, foi com a destruição do segundo templo de Salomão, pelas legiões do imperador romano Tito (70 a.D.), quando houve a diáspora de judeus por toda a Europa, Oriente Próximo e Ásia, que houve uma maciça emigração judaica para o território das duas províncias romanas, a Hispânia Citerior e a Hispânia Ulterior. Os judeus foram massacrados e, os que fugiram, foram então, proibidos de voltar à Palestina e seriam punidos com a morte caso o fizessem.



Arco de Tito, em Roma, com alto-relevo que reproduz a expoliação das riquezas encontradas no templo de Salomão e levadas para Roma como presas de guerra.



Ruínas do segundo templo de Salomão. Pedras atiradas do alto das muralhas pelos soldados romanos em 70 a.D.


O primeiro texto a fazer referência à presença de  judeus  na Espanha é a Refundição da Crônica, de 1344, que se supõe ter sido escrito por um judeu convertido no século XV. Posteriormente, vários outros relatos escritos são encontrados relatando a contribuição fundamental dos judeus para a civilização ibérica, já que todos eram alfabetizados e exerciam profissões de alto valor para uma nação que se desenvolvia e planejava sua sobrevivência em meio ao caos das invasões bárbaras. Eram filósofos, escritores, médicos, arquitetos, engenheiros, geógrafos, cartógrafos, astrônomos, contadores, escrivães, comerciantes, homens do mercado financeiro, ourives e exímios conhecedores de metais preciosos como prata, ouro e pedras.

Os judeus denominaram essa Terra Prometida de Sefarad, que em hebraico significa terra prometida. Daí o nome de judeus sefaradi ou sefarditas. Os judeus que emigraram para a Europa Central, Europa do Norte e Leste Europeu são chamados de Ashkenazy. Estes, alguns séculos depois, também emigraram para a Península Ibérica, em decorrência de perseguições religiosas e étnicas, aumentando consideravelmente a riqueza cultural desta região européia, dona de um clima e geografia privilegiados.

Outras referências à presença de judeus na Península Ibérica encontramos no historiador clássico judeu Flávio Josefo. Ele menciona os tubalinos, descendentes de Tubal, que os gregos chamavam de Íberos. Na Bíblia, Tubal é filho de Jafé e neto de Noé. Os povos primitivos da Península Ibérica, assim como o povo grego, receberam inúmeras levas migratórias. Entre esses povos podemos incluir: os celtas, os fenícios, os judeus, os gregos, os romanos, os visigodos e os berberes (muçulmanos ou mouros).

O Livro do Profeta Obadias (Ovadiayu, em hebraico) se refere à presença judaica em Sefarad (alguns acreditam tratar-se da região de Sardes, na Ásia Menor). Vejamos Ob. 1:20:

   "(...) e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarad, possuirão as cidades do sul".

Entretanto, vários autores judeus, identificaram o termo com a Hispania, daí a tradição de que a palavra Sefarad se refira à Península Ibérica. Imagina-se que os primeiros judeus aportaram à Ibéria com os comerciantes de Tiro, os Sidônios (ou Fenícios), que eram os maiores navegadores da época.

Existem relatos do século I indicando que algo em torno de cinquenta mil judeus haviam se estabelecido no sul da Península Ibérica. Alguns Concílios da Igreja Católica Romana ocorridos em Orléans (548 a.D.)  e em Toledo (633 a.D.), referem-se à presença judaica na Península. Desde a Alta Idade Média que se sabe da presença maciça da comunidade judaica em Sefarad. Com a destruição do segundo Templo de Salomão, Sefarad tornou-se a mais importante comunidade judaica no mundo, contribuindo para o desenvolvimento cultural, social, econômico e financeiro, religioso de toda a região, então uma das mais importantes do planeta.


Algumas notas sobre Tartessos 




A primeira civilização do Ocidente conhecida pelos gregos era conhecida como Tartessos. Decorrente da cultura megalítica da Andaluzia, desenvolveu-se em um triângulo formado pelas cidades de Huelva, Sevilha e São Fernando (em Cádis), no sudoeste da Península Ibérica. Em seu centro corria o rio Tartessos, batizado de Baetis pelos romanos e de Guadalquivir pelos mouros. Acredita-se que o povo tartesso tenha desenvolvido uma língua e escrita diferente da dos povos vizinhos e com influências culturais dos egípcios e fenícios.

Ainda não se encontrou uma cidade com esse nome, mas documentos revelam a existência de povoados ao longo do vale do rio Guadalquivir, para onde se expandiram os tartessos. Acredita-se que sua capital tenha sido Turpa, onde hoje se localiza o porto de Santa Maria, na foz do rio Guadalete. É provável que esta civilização já existisse antes de 1.000 a.C., voltada pra o comércio, a metalurgia e a pesca.

Os fenícios chegaram por esta época e se estabeleceram em Gadir (atual Cádis) e estenderam seus domínios para as terras e cidades nas vizinhanças. Foram descobertas minas de cobre e prata o que muito contribuiu para o comércio de bronze e prata levando o desenvolvimento à região. Este comércio se estendeu ao Mediterrâneo ocidental, chegando às Ilhas Britânicas (chamadas então de Ilhas Scilly), de onde importaram o estanho, necessário para a fabricação do bronze. Este também podia ser obtido através de areias de Tartessos, ricas em estanho. 

Eram governados por uma monarquia e desenvolveram leis escritas em tábuas de bronze. O historiador grego Heródoto descreve esses fatos como do período de 6.000 a.C. 

Em torno do século VI a.C., Tartessos desaparece da História, provavelmente destruída por Cartago na batalha de Alalia, dada a aliança deste povo com os gregos. Há historiadores que relatam ter sido a cidade refundada, sem maiores esclarecimentos, com o nome de Carpia. 

Toda a Baía de Cádis foi denominada de Tartessius Sinus pelos romanos, mas não existia mais o reino de Tartessos.